As empresas com saldo FCT (Fundo de Compensação do Trabalho) podem mobilizar esse valor para financiar qualificação e formação certificada dos trabalhadores. A possibilidade está prevista no regime em vigor e o prazo termina no final de 2026. Para aproveitar bem esta oportunidade é necessário ligar o investimento a problemas reais da equipa, definir resultados esperados e confirmar os requisitos legais.
Na área da comunicação, esta análise é especialmente importante. “Melhorar a comunicação” pode significar reduzir conflitos, tornar reuniões mais objetivas, preparar líderes para conversas difíceis, melhorar o atendimento ao cliente ou ajudar equipas técnicas a explicar informação complexa. Quanto mais claro estiver o problema, mais útil será a formação, mais fácil será avaliar o seu impacto na organização e nas equipas.
O que permite o regime do Fundo de Compensação do Trabalho
O Decreto-Lei n.º 115/2023 converteu o saldo FCT num fundo contabilisticamente fechado e alargou as finalidades para as quais os empregadores podem mobilizar os saldos. Uma dessas finalidades é o financiamento da qualificação e da formação certificada dos trabalhadores.
O regime prevê que a mobilização destinada a estas finalidades abranja os trabalhadores da empresa. Também estabelece limites ao número de mobilizações: saldo FCT inferior a 400 000 euros pode ser mobilizados até 2 vezes; saldo FCT superior a esse valor, até 4 vezes.
Para pedir a mobilização, a entidade empregadora declara, sob compromisso de honra, o montante, a finalidade e os trabalhadores beneficiários. Deve ainda cumprir o dever de auscultação das estruturas representativas dos trabalhadores. Se essas estruturas não existirem, a intenção de mobilização deve ser comunicada aos trabalhadores com 10 dias consecutivos de antecedência.
O prazo de utilização merece atenção. Os saldos podem ser mobilizados durante a vigência do regime transitório e a utilização efetiva dos valores deve acontecer até à extinção do saldo FCT, prevista para o final de 2026. Como o enquadramento pode depender da situação de cada empresa, convém confirmar o saldo, o procedimento e os documentos diretamente no portal dos Fundos de Compensação e junto das áreas jurídica, financeira ou contabilística.
Antes de escolher a formação, identificar o problema certo
Uma verba disponível pode criar a tentação de começar pelo catálogo.
A pergunta mais útil, que sugerimos que faça, é outra: que dificuldade de comunicação está a ter impacto no trabalho?
Alguns sinais aparecem no dia a dia:
- conflitos que se repetem entre equipas ou departamentos
- líderes que adiam feedback ou conversas difíceis
- reuniões longas sem decisões claras
- mensagens internas que geram dúvidas e versões diferentes
- apresentações técnicas que os públicos não especializados não compreendem
- reclamações de clientes tratadas de forma pouco consistente
- equipas comerciais com dificuldade em explicar valor e adaptar a abordagem a cada cliente
Para estes sinais não serve sempre a mesma resposta. Uma sessão sobre comunicação assertiva pode ser adequada para alguns, mas insuficiente quando o problema está nos processos, nos canais ou na ausência de critérios comuns.
Uma breve fase de diagnóstico ajuda a separar sintomas e causas. Pode incluir entrevistas com responsáveis, questionários curtos, análise de exemplos reais e identificação das situações que mais exigem mudança. O resultado deve ser uma prioridade concreta, suportada em comportamentos observáveis.
Em vez de “melhorar a comunicação da equipa”, o objetivo pode ser “preparar chefias para dar feedback com clareza, ouvir a resposta e definir ações” ou “uniformizar a resposta a reclamações complexas sem perder a personalização”.

5 perguntas para avaliar uma proposta de formação em comunicação
Antes de adjudicar, vale a pena comparar propostas com base em cinco perguntas.
1. Que mudança deve acontecer no trabalho?
O programa deve explicar o que os participantes devem conseguir fazer depois da formação. Objetivos como estruturar uma conversa difícil, adaptar uma mensagem a diferentes perfis ou apresentar dados a uma direção são mais úteis do que ideias vagas.
2. Os casos refletem a realidade da empresa?
Exercícios próximos das situações reais aumentam a aplicabilidade. Sem expor informação confidencial, a empresa pode fornecer exemplos de reuniões, mensagens, reclamações ou apresentações que representem os desafios mais frequentes.
3. Existe tempo para praticar e receber feedback?
Comunicação aprende-se com compreensão, prática e reflexão. Uma proposta equilibrada deve incluir exercícios, simulações, análise de casos e feedback orientado. A componente teórica dá estruturas e estratégias comuns e a prática ajuda a transformar tudo isso em decisões e comportamentos.
4. Como vai ser avaliada a aprendizagem?
A avaliação pode combinar autoavaliação, observação durante exercícios, planos de aplicação e acompanhamento posterior. O método deve corresponder ao objetivo. Se a prioridade é melhorar apresentações, faz sentido analisar uma apresentação antes e depois. Se o foco são conversas difíceis, podem usar-se simulações com critérios claros.
5. A proposta cumpre os requisitos necessários?
Antes da contratação, a empresa deve confirmar se a formação e a documentação associada cumprem as condições aplicáveis à mobilização do saldo FCT. Importa esclarecer elementos como certificação, identificação dos beneficiários, comprovativos de participação, custos elegíveis, faturação e prova da utilização das verbas. Esta validação deve ser feita com as entidades competentes e com os responsáveis internos.
Do saldo FCT disponível a um plano de formação útil
Um processo simples pode organizar a decisão em 6 passos.
- Consultar a conta global da empresa e confirmar o saldo FCT disponível.
- Validar internamente o enquadramento e o calendário, sem esquecer os prazos de consulta ou comunicação aos trabalhadores.
- Escolher uma ou duas prioridades de comunicação com impacto no negócio, no serviço ou na colaboração.
- Pedir uma proposta que relacione objetivos, conteúdos, metodologia, duração, participantes e avaliação.
- Confirmar a elegibilidade e reunir os documentos exigidos antes de submeter o pedido.
- Acompanhar a aplicação após a formação, com compromissos simples e momentos de revisão.
Este planeamento evita duas perdas: deixar o saldo FCT por utilizar e investir numa formação que não altera o trabalho. A oportunidade financeira só cria valor quando a aprendizagem responde a uma necessidade reconhecida e passa para a prática.
Também é útil definir um responsável interno. Essa pessoa articula Recursos Humanos, área financeira, participantes, chefias e entidade formadora. Assim, os requisitos administrativos não ficam separados das decisões pedagógicas.
Formação em comunicação como investimento, não como tema genérico
Quando o diagnóstico é claro, a formação em comunicação pode apoiar objetivos muito concretos: melhorar a experiência do cliente, reduzir ruído entre áreas, aumentar a qualidade das decisões, preparar lideranças ou tornar mensagens técnicas mais compreensíveis.
A SAB Comunicar desenvolve formação para equipas a partir dos desafios reais da organização. O ponto de partida é perceber onde a comunicação falha, quem precisa de fazer algo diferente e que situações devem ser trabalhadas durante a formação.
Se a sua empresa tem saldo no FCT e pretende avaliar uma formação em comunicação, pode pedir uma conversa inicial e uma proposta adaptada. Na mensagem, indique o número aproximado de participantes, os principais desafios, o período pretendido e, se já for conhecido, o enquadramento interno do pedido. Antes da adjudicação, confirme sempre com os responsáveis competentes os requisitos legais, financeiros e de certificação aplicáveis.
